E-0004 | Uso de cabines de segurança biológica para cultura de célula
| ⚠️ Atenção | ℹ️ Informação | ⏸️ Pausa | ⏳Tempo | 🌡️ Temperatura | 🚨 Crítico |
I. ESCOPO
Estabelecer as diretrizes operacionais padrão para a preparação, utilização e desinfecção das Cabines de Segurança Biológica (CSB) Classe II durante a manipulação de culturas celulares in vitro, garantindo a esterilidade das amostras e a proteção do operador.
II. FUNDAMENTOS
A Cabine de Segurança Biológica (frequentemente chamada de fluxo laminar) é o equipamento primário de contenção em um laboratório de cultura celular. As cabines de Classe II fornecem proteção tripla: ao operador, à amostra e ao ambiente. Isso é alcançado através de um fluxo de ar direcional que passa por filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air), removendo 99,97% das partículas em suspensão (incluindo bactérias e vírus). Um fluxo laminar contínuo de ar estéril banha a superfície de trabalho, enquanto uma cortina de ar na abertura frontal previne a entrada de ar contaminado da sala e o escape de aerossóis do interior. O respeito rigoroso à assepsia com etanol 70%, a não obstrução das grelhas de ventilação e o uso da radiação ultravioleta (UV) no pré e pós-uso são cruciais para inativar ácidos nucleicos e microrganismos, mantendo o ambiente NB-2 (Nível de Biossegurança 2) íntegro.
III. RECURSOS
Ambientes
Locais de execução do procedimento no IBTEC, UNESP:
- Laboratório de Cultura Celular (Setor L): Para o manuseio asséptico celular.
Equipamentos
- Cabine de Segurança Biológica Classe II (Setor L).
- Banho-maria aferido a 37°C (Setor L).
- Estufa de cultura celular umidificada com CO₂ (Setor L).
Reagentes
| Item | Quantidade | Notas |
|---|---|---|
| Etanol 70% | q.s.p. | Para assepsia rigorosa de superfícies e frascos. |
| Solução de Hipoclorito de Sódio | q.s.p. | Para o recipiente de descarte líquido. |
| Água destilada | q.s.p. | Para reposição no banho-maria. ⚠️ Nunca usar água deionizada/Milli-Q. |
Outros materiais
| Item | Quantidade | Notas |
|---|---|---|
| Recipiente para descarte de ponteiras | 1 | Deve permanecer dentro da cabine. |
| Recipiente para descarte líquido | 1 | Contendo hipoclorito de sódio no fundo (altura de 3 cm). |
| Papel absorvente | q.s.p. |
IV. PROCEDIMENTO
1. Preparativos
- Ligue o fluxo de ar e abra o vidro frontal apenas até a marcação/altura indicada pelo fabricante.
- Faça a assepsia minuciosa de todos os objetos residentes e de toda a superfície de trabalho da cabine empregando etanol 70% e papel absorvente. 🚨 CRÍTICO: Quaisquer materiais adicionais só podem ser inseridos na cabine após sua rigorosa assepsia com etanol 70%!
- Feche o vidro completamente, desligue o fluxo de ar e trate o ambiente interno da cabine ligando a lâmpada UV por ⏳ 15 min.
- Após o término do tratamento com UV, religue o fluxo de ar e abra o vidro até a altura indicada.
- ⏸️ Aguarde a circulação do ar por pelo menos ⏳ 15 min para a estabilização da cortina de fluxo laminar antes de iniciar qualquer manipulação.
2. Durante as manipulações
- Vista os EPIs adequadamente: mantenha as luvas esticadas por cima do punho do jaleco para que nenhuma área do braço ou antebraço fique exposta na área estéril.
- Ao gotejar meio de cultura (com ou sem células) em qualquer superfície da cabine, limpe IMEDIATAMENTE com papel absorvente e etanol 70%.
- ⚠️ ATENÇÃO: NUNCA tenha excesso de materiais dentro da cabine (como caixas empilhadas ou frascos desnecessários), pois obstáculos físicos desviam o ar e comprometem a formação do fluxo laminar protetor.
- Inspecione o banho-maria: se o nível de água estiver abaixo de 50%, reponha com água destilada. ℹ️ Nota: NUNCA utilize água deionizada ou Milli-Q no banho-maria do Setor L.
- Faça a assepsia de suas luvas (mãos) e da porta da estufa com etanol 70% sempre que for abrir o equipamento.
- 🚨 CRÍTICO: Sempre faça a assepsia de garrafas de cultivo e qualquer outro material com etanol 70% antes de levá-los à cabine ou de volta à estufa, inclusive quando retornarem da visualização no microscópio invertido.
- Caso observe sinais de contaminação (meio turvo, rápida mudança de cor para amarelo, ou microrganismos visíveis ao microscópio), avise imediatamente o pesquisador responsável pelo material e a coordenação técnica da sala.
3. Ao encerrar o uso
- Efetue a assepsia geral da cabine, limpando com etanol 70% todas as superfícies de trabalho e os itens fixos utilizados.
- Esvazie o recipiente de descarte de ponteiras e limpe-o interna e externamente com etanol 70%.
- Confira o recipiente de descarte de líquidos (hipoclorito). A solução deve estar incolor ou amarelo-esverdeada.
- ⚠️ Se o descarte líquido estiver cheio, feche-o bem, transfira para a pia da área de lavagem e mantenha-o em repouso por ⏳ 24h antes de eliminar seu conteúdo sob água corrente.
- Reponha na cabine um novo recipiente de descarte contendo solução nova de hipoclorito de sódio no fundo (altura aproximada de 3 cm).
- Completada a limpeza, encerre o sistema obedecendo estritamente esta ordem:
1) Desligue o fluxo de ar;
2) Feche totalmente o vidro frontal; 3) Ligue a lâmpada UV por ⏳ 15 a 20 min.
V. SEGURANÇA
- ☀️ Riscos físicos: A irradiação com luz UV causa graves queimaduras na pele e na córnea. Sob nenhuma hipótese introduza as mãos na cabine, permaneça com o rosto próximo ao vidro ou deixe o vidro parcialmente aberto enquanto a lâmpada UV estiver acesa.
- ☣️ Risco Biológico: O uso correto da cabine protege o operador contra a inalação de aerossóis gerados durante a pipetagem e centrifugação. Respeite sempre a altura do vidro para que a cortina de ar frontal não seja rompida.
- 🧪 Risco Químico: A solução de hipoclorito de sódio é corrosiva e volátil. Manipule o descarte com cuidado para evitar respingos nos olhos ou mucosas.
- 🚮 Descartes: As ponteiras utilizadas NUNCA devem ser descartadas diretamente no lixo comum da sala, mas sim no “Descarte para ponteiras” específico da cabine. ℹ️ Nota: As caixas acrílicas de ponteiras são reutilizáveis e autoclaváveis; não as descarte no lixo.
VI. OBSERVAÇÕES
- Boas práticas gerais: JAMAIS é permitido o consumo de alimentos ou bebidas no laboratório. Resíduos alimentares NUNCA devem ser descartados nas lixeiras da sala, pois atraem pragas e vetores de contaminação fúngica e bacteriana.
- O laboratório é de uso coletivo: mantenha tudo organizado e exatamente no lugar em que você encontrou anteriormente.
VII. HISTÓRICO
| Atividade | Data | Responsável |
|---|---|---|
| Criação inicial | 20180501 | Bárbara Grasiele Müller-Coan |
| Última revisão | 20260327 | Deilson Elgui de Oliveira |
| Última aprovação | PENDENTE | PENDENTE |
© ViriCan | Grupo de Estudos em Carcinogênese Viral e Biologia dos Cânceres, UNESP. Botucatu, São Paulo, Brasil. info@virican.net


