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P-0054 | Descongelamento de células criopreservadas


ESCOPO

Descongelamento de linhagens celulares ou culturas primárias criopreservadas em nitrogênio líquido para o restabelecimento e início de cultura celular in vitro.

FUNDAMENTOS

O processo de descongelamento de células criopreservadas é uma etapa crítica para garantir alta viabilidade celular e rápida recuperação da cultura. Durante a criopreservação, utilizam-se agentes crioprotetores, como o DMSO (dimetilsulfóxido) ou glicerol, que previnem a formação de cristais de gelo intracelulares que romperiam as membranas. No entanto, o DMSO torna-se rapidamente tóxico para as células em temperaturas acima de 4°C. Por este motivo, o protocolo exige que o descongelamento seja o mais rápido possível (imersão parcial em banho-maria a 37°C), seguido pela imediata diluição do crioprotetor em meio de cultura pré-aquecido. A adição do meio deve ser feita gota-a-gota para evitar um choque osmótico abrupto, que também pode levar à lise celular. Posteriormente, o crioprotetor residual é removido por meio de umacentrifugação branda, permitindo que as células sejam plaqueadas em condições ideais para retomada de sua proliferação.

RECURSOS

Ambientes

Locais de execução do procedimento no IBTEC, UNESP:


Equipamentos

Todos localizados no Laboratório de Cultura Celular do IBTEC


Reagentes

Item Quantidade Notas
Meio de cultura apropriado (ex: DMEM, RPMI 1690) ~ 20-30mL Pré-aquecer em banho-maria a 37°C antes do uso.
Soro Fetal Bovino (SFB) Variável Adicionado ao meio base na concentração recomendada para a linhagem (geralmente 10-20%).
Solução de Azul de Tripan (Trypan Blue) 0,4% 10-20mcL Para avaliação da viabilidade celular e contagem. Manter em temperatura ambiente.
Etanol 70% q.s.p. Para assepsia de bancada, luvas, tubos e frascos antes de entrarem na cabine.


Outros materiais

Item Quantidade Notas
Tubos cônicos de polipropileno estéreis (Falcon) de 50mL 1 a 2 por amostra ⚠️ Não usar tubos de 15mL na diluição inicial para permitir agitação adequada.
Pipetas sorológicas estéreis (5mL, 10mL, 25mL) Variável
Ponteiras estéreis com filtro (10, 200 e 1000mcL) Variável
Frascos de cultura celular (ex: T-25, T-75) ou placas Variável Definir o tamanho do frasco conforme o número de células viáveis recuperadas.
Hemocitômetro ou lâminas para contador (semi)automatizado (e.g., Countess) 1 por amostra Para realizar a quantificação celular antes do plaqueamento.


PROCEDIMENTO

Legenda: | ⚠️ Atenção | ℹ️ Informação | ⏸️ Pausa | ⏳Tempo | 🌡️ Temperatura |

  1. Assegure-se de que a cabine de segurança biológica esteja limpa e preparada para uso (assepsia com etanol 70%).
  2. Pré-aqueça o meio de cultura completo a 🌡️37°C no banho-maria por pelo menos ⏳ 15-20 minutos.
  3. Retire rapidamente o vial (criotubo) com as células do tanque de nitrogênio líquido e transporte-o em gelo seco ou caixa isotérmica até a Sala de Cultura Celular.
  4. Incube o vial com as células congeladas no banho-maria a 🌡️ 37°C, imergindo apenas a porção inferior (não deixe a água tocar na tampa para evitar contaminação). Agite/inverta o tubo suavemente para auxiliar no descongelamento homogêneo.
  5. ⚠️ IMPORTANTE: O processo deve levar em torno de ⏳ 1-2 min. Remova imediatamente o tubo do banho-maria assim que restar apenas um minúsculo cristal de gelo no interior. Dê seguimento ao procedimento tão logo as células estejam descongeladas.
  6. Limpe rigorosamente a parte externa do criotubo com papel absorvente embebido em etanol 70% antes de inseri-lo na cabine de segurança biológica.
  7. Transfira gentilmente a suspensão de células descongeladas do criotubo para um tubo cônico de 50mL. ⚠️ IMPORTANTE: Não usar criotubo de 15mL, pois o mesmo não permite agitação adequada durante a adição de novo meio às células.
  8. Adicione o meio pré-aquecido gota-a-gota, lentamente, completando o volume até 10mL. ⚠️ IMPORTANTE: A adição lenta é fundamental para evitar estresse osmótico e lise celular induzida pela rápida mudança na concentração do DMSO.
  9. ⚠️ IMPORTANTE: Agite gentilmente o tubo cônico de 50mL rotacionando-o com os dedos continuamente durante a adição do meio.
  10. Retire uma pequena alíquota (ex: 10 a 20mcL) e misture com azul-tripan para quantificar o número de células viáveis em hemocitômetro.
  11. Centrifugue a suspensão de células a 100–400×g por ⏳ 5 min em temperatura ambiente. ⚠️ IMPORTANTE: Esta etapa é estritamente necessária para remover o DMSO residual, que é tóxico e pode comprometer a viabilidade das células nos primeiros dias de cultivo.
  12. Retorne o tubo para a cabine e remova o sobrenadante com cuidado para não perturbar o pellet de células no fundo do tubo.
  13. Ressuspenda delicadamente o pellet em novo meio de cultura pré-aquecido, na quantidade calculada para se obter a densidade apropriada para o plaqueamento no frasco de cultura (no caso de células aderentes) ou crescimento em suspensão.
  14. ℹ️ OBSERVAÇÃO: Para células muito sensíveis ou com baixa viabilidade inicial após descongelamento, pode-se iniciar a cultura com uma concentração maior de soro (ex: 20% SFB) e reduzir à concentração habitual de expansão (e.g., 10%) quando a cultura estiver aderida e estabilizada (⏳ 48h, pelo menos).
  15. Transfira a suspensão para o frasco de cultivo previamente rotulado (Nome da linhagem, Passagem, Data, Responsável).
  16. Incube as células a 🌡️ 37°C na estufa umidificada com 5% de CO2.
  17. Inspecione a cultura ao microscópio invertido após ⏳ 24h para verificar a adesão celular, morfologia e ausência de contaminação.


SEGURANÇA


OBSERVAÇÕES

  1. Certifique-se de registrar a retirada do vial no inventário de células criopreservadas do ViriCan.
  2. O choque térmico reverso prolongado (células descongeladas no DMSO deixadas em temperatura ambiente antes da diluição com meio) ocasiona morte celular massiva. Trabalhe com agilidade na etapa de transferência.


HISTÓRICO

Atividade Data Responsável
Criação inicial 20090918 Deilson Elgui de Oliveira
Última revisão 20260326 Deilson Elgui de Oliveira
Última aprovação 20260326 Deilson Elgui de Oliveira


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